Muitos executivos relutam em aprimorar suas habilidades comportamentais ao longo da carreira e quase sempre priorizam as chamadas hard skills ou habilidades técnicas para chegar no alto escalão, quando então, em função da necessidade de perpetuarem os bons resultados, agora através de suas equipes, voltam o olhar para dentro e percebem que falta algo como empatia, inclusão, uma sensação de plenitude ou uma habilidade maior para lidar com os seus liderados ou ainda, uma conexão consigo próprio.

A sensação é de nadar, nadar, chegar à praia e não encontrar o real significado de sucesso ou do propósito que imaginam seguir ao longo da jornada. E por que isso acontece?

O ritmo atual de trabalho e a cultura predominante de foco em resultados de curto prazo - aliados ao excesso de informações, estímulos diversos e expectativas criadas - geram ansiedade extrema e estresse. Neste turbilhão corporativo, os executivos acabam deixando de lado os cuidados com sua mente e suas necessidades interiores. Os danos de se ignorar o lado pessoal costumam aparecer mais tarde, geralmente quando o profissional já se encontra em uma posição de liderança e quando passa a ser cobrado por habilidades que foram negligenciadas de alguma forma, como as de relacionamento, do amor e percepção de si próprio e do time, de forma mais humanizada.

Criar a consciência sobre esta limitação cognitiva, aprender a nomear sentimentos e então endereçá-los no sentido do autoconhecimento e consequente crescimento como ser humano, poderão ser fatores determinantes para o sucesso no exercício da liderança. E é isso que se entende por mindful leadership, esse aprendizado interno, essa conexão interior que é capaz de refletir no modo como se lidera e conduz a carreira e a própria vida.

Independentemente de um termo da moda com possível apelo comercial, a mindful leadership aponta para a questão da clareza mental para a tomada de decisões. É fato que desconectar dos próprios propósitos e valores e negligenciar o ritmo de trabalho leva a doenças mentais como ansiedade e depressão, que já são as maiores causas de afastamentos de executivos no mercado de trabalho. Portanto, saber usar a mente a seu favor é essencial para a saúde, bem-estar e qualidade de vida dentro e fora do trabalho.

Uma das principais vantagens de um líder que tem autoconhecimento e maior controle emocional é evitar o foco difuso na hora da tomada de decisões. Em circunstâncias normais, os líderes tomam decisões a todo momento e, muitas vezes de maneira distraída, com atenção parcial ao problema, já que outras preocupações estão em sua mente. Quando ele aprende a administrar melhor seus pensamentos, seus sentimentos e inquietudes internas, ele aprende também a concentrar-se totalmente em uma determinada situação e utilizar todas as suas habilidades para resolvê-la.

A reflexão interna precisa estar na agenda dos executivos. Realizar alguns minutos de pausa durante o dia para perceber o que acontece internamente e exercitar a mente, pode fazer um grande bem para o profissional, para a empresa e para a equipe.